Desbravando o sítio histórico da Prainha de bike : 491 anos de colonização!
Aventurar-se significa atravessar a ciclovia mais alta do Brasil e seguir até onde o Espírito Santo nasceu: a Prainha de Vila Velha. Entretanto, a travessia de bike (ida e volta são 23 km) exige alguns cuidados que deixarei por aqui e também narrarei como foi estar na Prainha em uma linda manhã ensolarada de fim de janeiro.
Um desafio da engenharia a 70 metros acima do nível do mar, a Ciclovia da Vida "Detinha Son", foi construída do lado da Terceira Ponte e é a mais alta de todas as capitais brasileiras.Atravessá-la de bike exige preparo físico e freios potentes. Veja como o ciclista fica na travessia:
Desde a inauguração da ciclovia, eu já fiz algumas viagens no sentido de Vila Velha com retorno a Vitória, adquirindo uma certa experiência. A primeira vez eu quase morri...kkkkk 😆 Faltou-me ar e força nas pernas para encarar a subida.
A dificuldade maior é no sentido de Vila Velha a Vitória, pois você já está mais cansada do trajeto efetuado e os ventos neste sentido, são muito mais intensos, além da inclinação da subida até o mirante ser um pouquinho mais íngrime. Mas a visita lá de cima compensa muito.
Dicas simples e importantes para a travessia
A primeira dica é a da manutenção da bicicleta. É preciso observar se a bike tem condições de fazer o trajeto.
A pessoa também tem que ter cuidado com si própria e usar equipamentos de segurança como capacete, luvas , garrafas de água e óculos apropriados para contenção da poeira e do vento nas descidas, além de roupas adequadas que oferecem mais conforto ao ciclista.
É necessário fazer o translado da via tendo em mente que não é uma pista de competição: é um momento de lazer, de prática de esporte lúdica. Então é preciso ter realmente cuidado e muita atenção nesse deslocamento, principalmente nas descidas nos dois sentidos.
Há de deixar ressaltado que a Ciclovia da Vida é a mais alta do Brasil entre as capitais, com cerca de 70 metros acima do nível do mar ao longo de 6,5km de extensão. A travessia, que já oferece uma vista panorâmica deslumbrante, torna-se uma experiência desafiadora e emocionante.
Chegamos na Prainha, o Espírito Santo nasceu aqui!
Depois de atravessar a Terceira Ponte pegamos o caminho que segue em direção ao Convento da Penha, que fica muito próximo à Prainha. Tem um trajeto metade ciclovia e metade nas ruas e avenidas, o que exige mais cuidado e cautela, pois andamos na mesma via dos carros.
O Parque da Prainha, em Vila Velha, ganhou o Marco Zero da Colonização, uma obra de arte a céu aberto criada pelo artista plástico Celso Adolfo. No centro da obra há uma placa, com a imagem de uma caravela, com a seguinte inscrição: “O Espírito Santo nasceu aqui. Vila do Espírito Santo. Vila Velha. 1535”.
A obra de arte de Celso Adolfo foi construída com pedriscos, que são pedras aglutinadas com resina, resultando num piso que proporciona alta drenagem de água e resistência em locais abertos, como o Parque da Prainha. A obra é linda, assim como todo o parque que é bem acolhedor e perfeito para um passeio histórico.
A obra de Celso Adolfo conta toda a história da colonização, retratando além de Vasco Fernandes Coutinho, também o escudo de Portugal, a caravela Glória usada por ele em sua chegada em Vila Velha, os povos originários, os pescadores da Prainha, a imagem de Frei Pedro Palácios apontando para as palmeiras do Convento da Penha e o mapa do Espírito Santo elaborado em 1535.
A Prainha é um espetáculo à parte. E ver os barquinhos na vila dos pescadores nos remete à memória da colonização do solo Espírito Santense. Há quase 500 anos atrás só havia mar e mais nada. A civilização contemporânea que solidificou e emergiu prédios de concreto onde há anos só havia mar e areia/terra.
Passear pela Prainha é voltar a 1535 e imaginar o quanto essa terra era selvagem, remota e absurdamente linda. Aqui chegaram os portugueses em uma caravela e ao desembarcarem se depararam com os índios, iniciando assim um conflito de civilização cuja história sabemos de cor, mas que não tira a magia dessa terra antiga.
O nome Prainha nasceu do hábito carinhoso dos moradores de chamá-la desta forma, devido à pequena enseada existente ali. O roteiro começa pela enseada da Prainha, cenário onde aportou o primeiro donatário do Espírito Santo e onde começou a colonização deste estado bonito por natureza.
O barquinho de nome saudade chamou-me a atenção. Ancorado na areia aguarda o seu gentil pescador que há anos tira o peixe de cada dia nesta terra abençoada pelo Espírito Santo. Ao fundo da foto vemos a Terceira Ponte e já chegou o momento de recomeçar a travessia de volta para casa.
E assim chegamos ao fim de mais uma jornada por um sítio histórico de 491 anos. É um grande privilégio poder fazer esse passeio de bike observando cada detalhe, cada pedacinho dessa terra histórica. Aproveito para convidar todos para curtir esse passeio restaurador. Até mais gente querida!


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